– Um amigo ou uma autoridade máxima?

Em tudo o que nos rodeia, somos confrontados com uma hierarquia de poder. Seja na educação, no seio familiar, no desporto ou em outras componentes diversas na sociedade. Tudo tem como base uma definição atempada de um líder perante o restante grupo. Como um filho obedece a um pai ou um aluno respeita um professor. Toda a relação entre dois indivíduos pode ser melhorada e é nisso que nos iremos focar. No Desporto, o treinador tem de ser afinal um amigo ou um ser autoritário?

Especificando para um treinador de guarda-redes e um atleta de tão específica posição no campo, qual a postura como treinador a adoptar em treino? Deve-se adaptar ao atleta que pretende aperfeiçoar, ou o atleta é que tem de se adaptar simplesmente? Tudo é relativo, e tudo é subjectivo. Afinal quem se deve adaptar? É aqui que volta a entrar a definição de poder mas com cuidados a ter…

Se pensarmos no Futebol, quem manda na equipa é o treinador principal. Com a definição de modelo de jogo, o treinador de guarda-redes retém tudo o que pode trabalhar com o seu jogador para se adaptar da melhor forma ao modelo de jogo pretendido. Se deve jogar mais perto/longe da baliza, se tem de ficar na expectativa porque a defesa joga com bloco baixo, ou se tem de ser o líbero da equipa. Tudo definido atempadamente, com os devidos ajustes aos guarda-redes que têm na equipa. Por exemplo não se pode colocar um guarda-redes a sair, a curto prazo, constantemente fora de área para evitar contra-ataques, se não tem rotinas para tal. Tem de ser um processo de aprendizagem contínuo e mais lento.

Uma boa relação entre dois indivíduos tem de passar muito pela componente emocional. Temos estima e admiração por pessoas que nos tratam com respeito e não admiramos quem critica de forma destrutiva. O processo de aprendizagem é colocado muitas vezes em causa quando sobrepomos a crítica destrutiva à construtiva. Aqui é o treinador de guarda-redes, de posição tão específica, com uma atitude autoritária. Funciona este tipo de postura? É bem capaz de não resultar. Os tempos mudam, e se antigamente era um posto, actualmente é mais um elemento numa organização.

No trabalho com um guarda-redes, além das componentes técnicas e tácticas específicas, tem de existir diálogo. Isto é necessário principalmente nos campeonatos amadores. Quando se é profissional nem sempre existe uma relação de proximidade pois num dia podem estar em determinado clube, como a seguir partirem para outro e o seu treinador igual. Há excepções. Pode haver muita amizade e empatia no meio do trabalho. Fórmulas de sucesso neste meio são por exemplo Vitor Silvestre com Kieszek. Trabalhou-o no Vitória FC e fê-lo estar em forma como nos habituou antigamente, e seguiu com o mesmo para o Estoril. Podemos referir ainda Paulo Grilo que mostrou ao mundo M’Bolhi que actuava no CSKA Sofia e que brilhou no Mundial no Brasil. Seguiu com o argelino para os EUA mais propriamente Philadelphia. Isto não acontece certamente com o treinador a assumir uma posição autoritária sem espaço para diálogo. Se os resultados são tão visíveis, é porque a relação treinador-jogador é muito forte. Também se podem criar laços afectivos entre estes dois elementos. O treinador é como um pai ou um melhor amigo. Mas para isso é necessário ambas as partes estarem dispostas a tal. Compreender os sentimentos dum jogador, é metade do caminho para se tirar o melhor dele em treino/jogo. “Conhecer o outro ajuda muitas vezes a conhecer a nós próprios”. A vida é dinâmica, e no futebol não é excepção.

Os dados estão lançados e precisamos de saber a vossa opinião como treinadores ou jogadores… Um treinador “amigo” ou um ser inalcançável e distante?

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