– Num Derby de nervos, a baliza não foi excepção…

Numa noite (atipicamente) gelada em Lisboa, e sob os ecos de possiveis atentados depois do desastre em Paris, a segurança foi reforçada… mas não nas balizas. Num Derby que alimenta a paixão de milhões de adeptos, repetiu-se pela terceira vez em 4 meses um jogo com os “nervos à flor da pele”… Sporting-Benfica, com Rui Patricio frente a frente com Julio Cesar.

Com um susto para o guardião brasileiro logo nos instantes iniciais, que viu a bola embater no seu poste, viu também meros minutos depois a sua equipa chegar à vantagem. Num remate pronto, Patrício não esboçou qualquer reacção e acabou por ver a volta passar entre as pernas, sendo claramente surpreendido pela prontidão e força do remate (e até forma). Começava a instabilidade numa primeira parte má para ambos, como vamos explicar adiante…

Julio Cesar parecia confiante, com um exemplo de autoridade e calma quando sai da área a impedir o ataque rápido do Sporting, ficando com a bola dominada e saindo a jogar. Um bonito momento. A partir daí, foram incontáveis os momentos que tentou esfriar uma partida frenética de emoções. Nos momentos de pontapé de baliza, ou livres, demorava a bater, temporizando até ao limite, sendo alvo de repreensões da arbitragem desde cedo. Do outro lado, Patrício estava “em pulgas” e saia-se quando não devia, e quando devia ficava na baliza. Com algumas hesitações na saída, não estava a garantir estabilidade a uma equipa que precisava de frieza no racíocinio e acções. Com uma defesa que tornou fácil a remate de longe de Jefferson, pelo seu posicionamento, Julio dentro dos postes estava a garantir segurança. Fora deles é que não estava fácil… Até que chega ao golo do Sporting, num dos alguns erros de saída de Julio fora dos postes. Se na primeira vez a bola acabaria por não entrar (onde saiu ferido na perna), na segunda vez não lhe perdoaram. Perdeu o lance por hesitar em demasia no momento de saída, e acabou por sofrer o golo em cima do intervalo. 1-1 neste momento, numa exibição bastante abaixo do esperado das duas balizas, longe do que nos habituados a presenciar de ambos.

A segunda parte foi diferente. No ínicio, numa falha de comunicação na defesa leonina, Rui Patricio gerou um calafrio escusado. Depois de uma saída em falso, compensou a evitar que o primeiro adversário marcasse. No ressalto, e após escorregar, os adeptos encarnados reclamaram penalty pela forma veemente como Rui abordou o lance. Curiosamente voltou a crescer no jogo após este lance, tendo feito duas defesas seguras e uma defesa de valor a remate cruzado de Eliseu, sendo o nosso mérito dado à forma como reagiu rapidamente a evitar uma possivel recarga (ainda que não existisse oponente por perto, mas merece o crédito). Do outro lado Julio aparecia no momento da noite para os guarda-redes… uma defesa estrondosa a remate que parecia certo de entrar de Slimani. Após alguns ressaltos manteve o corpo alto e evitou, a uma mão, o golo do argelino perto do final do jogo, para desespero da equipa da casa e seus adeptos. Chegava-se então ao prolongamento…

Neste, Patricio voltava a mostrar segurança e o crescimento que teve ao longo da partida. Confiante, principalmente no momento de agarrar a bola. Do outro lado Julio voltava a estar em foco pela negativa, e nem o momento decisivo com aquela defesa o moralizava… Num remate dificil defende para a frente onde estava Slimani a encostar para o segundo golo dos leões. Um remate dificil a fazer a curva para dentro da baliza, mas a defesa foi feita para a frente e não estava lá ninguém da sua defesa para evitar males maiores… Dificil execução pela prontidão do remate, força e pelo facto de não ver a bola partir, mas não pode defender para a frente, apesar de reconhecermos a dificuldade do momento e tendo em conta as características que enumeramos do lance.
Até ao fim do jogo, pelo uso de futebol mais directo em busca do empate, Rui Patricio foi senhor nas alturas. Usando o desvio na maioria das vezes, fê-lo com confiança e coragem, talvez vivendo a adrenalida do momento.

Em suma, e numa análise vista dentro do estádio, foi um jogo frenético e emotivo, e os dois guarda-redes, talvez com uma nota mais positiva para Rui, tiveram actuações abaixo do que nos habituaram. Mesmo assim, tiveram momentos de salutar e de grandes guarda-redes como realçamos durante a análise. Não foi, sem dúvida alguma, pela baliza que uma equipa saiu vitoriosa e outra derrotada. Mas não tiveram no nível habitual, pelo menos a nível de consistência ao longo dos 120 minutos.

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