Adrián: O que não se pode fazer perante um adversário que procura erros? Isso mesmo: errar

O futebol tem muito de tácticas e técnicas, de capacidades atléticas… e de mental. Demasiado de mental.

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O Liverpool recebia o Atlético de Madrid e precisava de ganhar. Sem sofrer golos, de preferência. E chegou ao prolongamento e, no início do mesmo, marcou o golo que lhe dava a vantagem na eliminatória. Demorou imenso tempo a alcançarem essa vantagem e era necessário mantê-la. É aí que entra o guarda-redes do Liverpool, que era desta vez Adrián San Miguel, em vez de Alisson (recém eleito o melhor guarda-redes do mundo). Cabia a si a difícil missão de ser um catalisador e não um desestabilizador. E esta missão é mais exigente que muitos possam crer.

Então, poucos minutos depois do ‘Pool marcar o golo da vantagem na eliminatória, existe um momento de transição defensiva da equipa que acaba com ganho da bola pelo defesa da equipa e que é atrasada ao guardião. Este, no final da área, não analisa nada e decide bater. E mal. Gera uma recuperação ao adversário e quando ainda transitava defensivamente (e de forma muito lesta) acaba por ver a bola a entrar. Nem esboçou reacção… pudera, não estava fixo no momento do remate e em movimento constante é difícil perceber remates. E não conseguiu.

Fica o vídeo:

Tudo neste lance é errado. A tentativa de batida da baliza, a lentidão na transição para o momento defensivo e depois não estar fixo no momento do remate e estar a saltar. Tudo isto tira reacção. Mas isto é a análise táctica/técnica. E o resto?

E claro está… voltamos ao início do texto: o futebol tem muito de mental, certo?

Há poucos dias quando Guardiola e o seu Manchester City foram vencer no Bernabeu, contra o Real Madrid, dizia que era preciso jogar com a plateia da equipa da casa. Neste caso, evitar que a equipa visitada “galvanizasse” com os seus adeptos pois nesse momento são temíveis. E aqui entra uma componente que nada tem a ver com a táctica, apenas anímica. No guarda-redes é igual…

Um guarda-redes tem de acalmar a equipa num momento em que já tudo arde à sua volta. Muitas vezes são influenciados pelo colectivo mas o difícil é evitar cair com a mesma. E quando tudo está bem (ou parece bem)? Tem de ajudar a manter esse estado das coisas. E, hoje, um erro individual de Adrian, atirou uma equipa abaixo. É complicado, claro, sendo ele da posição mais complexa e exigente do futebol. Não há lugar a erros, muito menos quando se substitui a referência máxima da posição na actualidade. E depois de falhar, e dar em golo, isso gerou uma queda abrupta na equipa e galvanizou o adversário que passou a acreditar que “bastava rematar” para se chegar ao golo. E certo é que não foram precisos muitos remates para se marcar 3 golos ao Liverpool. E a base foi mental.

O guarda-redes é o ser mais anti climático do futebol pois é aquele que faz o adepto festejar uma defesa ao invés de um golo. Ou desesperar com a mesma. Se passa despercebido, é um óptimo indicador. Se é notado, negativamente, até por aqueles que não entendem ao pormenor a posição de guarda-redes? Péssimo sinal. E ele tem de passar despercebido… e não passou.

 

 

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