(Artigo) 2 treinadores de Guarda-Redes e o funcionamento desta dinâmica que começa a surgir!

  • Artigo escrito por Pedro Santos, Treinador de GR seniores do Real SC.

Para a exploração deste artigo, são trazidos 3 exemplos dentro do futebol, por via mais teórica ou prática, de opiniões convergentes sobre o tema da existência de dois treinadores de guarda-redes numa equipa sénior (principalmente profissional), sabendo porém que, apesar de ser uma necessidade com nexo, existem outras prioridades na montagem de uma equipa técnica e de alocação de recursos para uma época desportiva.

Na opinião do mister Ricardo Pereira (treinador de Guarda-Redes da equipa principal do Independiente del Valle), existindo essa opção por parte de toda a estrutura para a (co)existência de 2 TGR’s na equipa senior,

“É um rotundo sim pela importância da nossa presença no treino integrado não só ao nível do feedback para o Guarda-Redes como também ao da intervenção com a linha defensiva interligado comportamentos com os nossos Guarda-Redes. Para além disso torna-se importante aquele Guarda-Redes que está de fora continuar a trabalhar e aproveitar este momento para praticar questões de um possível plano de desenvolvimento individual.”

Seguindo a mesma linha, na reportagem especial “Em Boas Mãos” transmitida pela Benfica TV, o mister Fernando Ferreira (treinador de Guarda-Redes da equipa principal do Sport Lisboa e Benfica) afirma:

“Se eu tiver 2 treinadores de Guarda-Redes, eu consigo estar no trabalho individual e o outro treinador de Guarda-Redes consegue estar a acompanhar o treino integrado e a dar feedback. Se eu tiver 3 Guarda-Redes e 2 treinadores de Guarda-Redes já somos 5 pessoas e vai-me dar uma complexidade muito superior e vai me permitir criar dinâmicas completamente diferentes e mais similares àquilo que é o jogo”.

Utilizando o bom exemplo do contexto do Sport Lisboa e Benfica, torna-se ainda mais um momento de crescimento e de formação para os treinadores de Guarda-Redes da formação que integram a equipa principal, sendo o mister Fernando claro quando diz,

“Eu também tenho de ter aqui um pouco a perspetiva de formador … eu acho que não há um contexto de formação melhor que este de vir treinar com os melhores Guarda-Redes”.

O mister Ricardo Pereira elogia esta dinâmica e reforçou no último podcast d’A Última Barreira (ver aqui) em que,

“Está, não só a potenciar o tempo do treino como também a possibilitar a treinadores de Guarda-Redes do Benfica este contacto com o futebol sénior que poderão depois nas suas carreiras vir a ter (…) portanto está-lhes a proporcionar experiências fantásticas e está a ajudar os Guarda-Redes, porque pode dividir o treino de uma forma mais eficaz”.

E acrescenta mais uma das vantagens de se ter 2 treinadores de Guarda-Redes quando “nós podemos fazer exercícios específicos de treino de Guarda-Redes, eu e o Guarda-Redes, mas posso fazer exercícios se me derem esse número com 4 ou 3 Guarda-Redes mais 2 treinadores de Guarda-Redes e criamos todos nós situações ricas do ponto de vista quase integrado, em que quase estamos a fazer uma simulação aproximada do treino integrado”.

Toda esta ideia ainda é confirmada na recente tese de mestrado “Perceção dos Treinadores de Elite Nacional sobre o Treino e Formação de Guarda-Redes de Futebol” de Eduardo Cachulo, onde é referido,

“No caso das equipas que conseguem ter dois treinadores de guarda-redes, é possível ter um técnico a acompanhar os GR em treino integrado enquanto que outro está a trabalhar no desenvolvimento individual com os GR’s que não estão no treino com a equipa. No caso das equipas que têm apenas um treinador de GR, deve-se perceber e gerir os momentos mais pertinentes para o desenvolvimento destes planos individuais, uma vez que é fundamental o acompanhamento dos GR em contexto integrado por parte do técnico de GR.”

É um tema importante e que tem vindo a debate na actualidade pela maior complexidade, exigência e especificidade do guarda-redes num jogo de futebol. E há exemplos disso mesmo, no estrangeiro e em Portugal, nos últimos anos e que corroboram todos num aspecto em comum: evolução dos guarda-redes é mais sustentada e rápida com este tipo de acompanhamento. Talvez seja uma tendência a crescer nos próximos anos…

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