Um golo de categoria de Kimmich que pode dar o título e a decisão de Burki no lance entre posição e antecipação (Análise)

, por Gonçalo Xavier, Fundador e Gestor d’A Última Barreira

Um golo de categoria de Kimmich que deixou em polvorosa as redes sociais no mundo inteiro e que pode ter ajudado ao Bayern Munique a conquistar o título. Mas do outro lado, de quem sofreu, levantaram-se questões em igual proporção, entre “frango”, erro clamoroso, tudo com base no posicionamento do guardião no momento do remate. Mas será só por isso que sofreu golo?

Para responder a isto, o melhor é dividir o lance no momento do golo e nos 50 segundos anteriores. E porquê? Porque parte da decisão do guardião, Roman Burki, pode ter sido influenciada pelo que aconteceu segundos antes contra o mesmo Kimmich.

Momento 1:

Segundos antes do golo, o Bayern recuperou a bola após pontapé longo de Burki e, em organização ofensiva, tem uma situação idêntica ao do momento do golo. Kimmich com bola, na mesma zona, decide “picar” entre defesas do Dortmund mas a bola é cortada. Burki fez o movimento de aproximação a um possível duelo no 1×1.

 

Momento 2: Golo.

1o Submomento: o primeiro posicionamento e a decisão do passo.

Como dito em cima, zona do campo e momento parecido ao que se passou segundos antes. Talvez com isso em mente e na perspectiva de vislumbrar uma diagonal curta de um avançado a aparecer no interior da área, Burki dá um passo em frente no momento em que Kimmich toca na bola. A bola está descoberta e a possibilidade de remate aumentou e a baliza ficou “maior” com esse passo à frente…

2o submomento: a recuperação à retaguarda (cruzar o apoio) para chegar à bola um pouco mais equilibrado e preparado para o voo.

O objectivo era de chegar com um passo antes do respectivo apoio para o voo, do lado da bola para defender, o mais rápido e equilibrado possível, daí o bom uso do recurso do cruzar do apoio, como mostra na imagem seguinte (esquerda já em movimento final do passo).

3o submomento: qual a mão a usar e qual a intenção antes.

Se a intenção é de ter o braço totalmente estendido no momento para desviar a bola com maior precisão e força, o uso (neste caso) da mão contrária seria – talvez – melhor aplicada pelo destino a dar à bola: para cima da baliza ou para o lado? Enquanto com a “mão do lado” a possibilidade de defender por cima da baliza aumenta (e é quase exclusiva) mas aqui seria uma defesa com o corpo “a cair” e a capacidade de desviar com força e precisão iria decrescer.

 

Todas as decisões de um guarda-redes são tomadas com base em algo. No caso, pode ter “ajudado” ao passo em frente quando a bola estava descoberta para remate fora da área o facto do mesmo jogador segundos antes dali ter feito um passe. Isso fica no subconsciente no momento de tentar antecipar. A partir daí, esse passo influencia toda a mecânica para a procura da defesa da bola. E porque a visão do jogador no momento do remate… era esta: de uma baliza gigante, sendo que o objectivo do guardião é passar pelo contrário: fazer parecer pequena a baliza.

 

E, em nota final, porque os guarda-redes e os seus treinadores de guarda-redes procuram saber de tudo dos jogadores/equipa contrária por forma a estarem melhor preparados para um jogo que normalmente é caótico e de multiplicidade de acções, também os oponentes analisam os guarda-redes (parece algo inevitável mas muitos podem-se esquecer desta parte).

Kimmich no final do jogo disse que sabia que Burki estava muitas vezes “longe” da baliza quando a bola está fora da área. E isto também podia estar no subconsciente da equipa contrária e ajuda a uma decisão “natural” destas de fazer uma bola aérea pelo GR, mesmo sem precisar de olhar muito para a baliza…

E claro, um golo incrível e uma decisão muito improvável do batedor. Ainda mais complica tudo para o guarda-redes num lance com alta complexidade inerente.

Fica o vídeo com a análise toda:

Imagens via Instat, edição total e exclusiva do autor.

Errata: Nas imagens o nome correcto é Kimmich.

 

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