Foi uma das surpresas (no literal sentido da palavra) dos últimos dias de mercado.

Com a saída de Neto para o Valência a título definitivo, a campeã italiana Juventus tinha de contratar alguém para fazer frente a Gigi Buffon. E fechou, na tarde de ontem, Szczesny, por 12 Milhões de euros pagos ao Arsenal que aproveitou o facto do polaco brilhar em Roma na época passada para vender um activo.

Mas a questão é… entende-se a necessidade de contratar alguém. Mas porquê um investimento de 12M sabendo que existe Gigi Buffon (que dispensa apresentações) até ao final – pelo menos – da época 17/18. Será o polaco o futuro da baliza da Juventus? A afirmação não deverá ser positiva… até pelas características do guardião.

São reconhecidos publicamente os episódios de loucura do guardião polaco, no Arsenal, fora dos relvados. Por vezes tem piada, mas essa loucura (pouco saudável) passa para o campo na forma pouco preocupada como por vezes encara as partidas. Não sendo muito forte mentalmente, é muito forte na defesa de baliza. Aliás, tudo o que diga respeito a defender remates exteriores ou no 1×1, ele é muito bom. Peca no frágil jogo aéreo, na capacidade de liderança e na concentração. Não é, de todo, um guarda-redes equilibrado. Vive excessivamente de momentos de inspiração, quando devia estar focado em evitar que a descompressão afecte o seu jogo. E isso pode ser fatal numa equipa que se quer campeã. Precisa de estabilidade e competência desde trás. E isso, apesar da qualidade do guardião polaco, não cremos que possa oferecer.

Sinceramente, não será fácil substituir Buffon no futuro. Nem no presente. Como tal, esta contratação só pode significar três coisas:

  • Ou a Juventus acredita mesmo que ele é o substituto ideal de Buffon;
  • Ou a Juventus acha que será um bom suplente para ser chamado algumas vezes para melhorar a rotatividade e não se perder qualidade na baliza;
  • Ou a Juventus decidiu dar uma “bicada” na rival Roma que pretendia adquiri-lo em definitivo. E só podia fazer isso se pagasse mais e em definitivo.

Seja como for, o guardião polaco vai ter muitos minutos na época que se avizinha se os contextos forem iguais ao ano passado. Irá dar credibilidade como segunda opção, mas não o vemos com calibre e dimensão exibicional e psicológica para assumir em definitivo uma baliza como a da Juve. Muito menos quando essa baliza é de Buffon. A comparação é injusta mas iria acontecer de certeza…

  • Gonçalo Xavier ( A Última Barreira )